Projetos Parceiros
Os projetos reunidos aqui são desenvolvidos em colaboração com grupos de pesquisa e laboratórios de universidades brasileiras e estrangeiras. As parcerias ampliam o alcance das investigações, permitem o compartilhamento de metodologias e acervos e inserem o trabalho do Laboratório em redes nacionais e internacionais de produção e circulação do conhecimento.

INCT PreRes
Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Preservação Audiovisual
O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Preservação Audiovisual (INCT PreRes) reúne laboratórios e grupos de pesquisa de diferentes regiões do Brasil com o objetivo de fortalecer ações de preservação, restauração, pesquisa e difusão do patrimônio audiovisual brasileiro. Sediado na Universidade Federal Fluminense (UFF), o Instituto atua na construção de uma rede colaborativa dedicada à identificação, salvaguarda e valorização de acervos audiovisuais produzidos em suportes analógicos e digitais, promovendo a circulação de conhecimentos e o desenvolvimento de políticas para a preservação da memória audiovisual do país.
No âmbito do INCT PreRes, o Laboratório Práticas do Contra-Arquivo desenvolve pesquisas voltadas ao mapeamento, preservação e difusão de filmes realizados por mulheres durante a ditadura militar brasileira. O laboratório atua na identificação de obras e documentos dispersos em diferentes acervos, na digitalização de materiais audiovisuais e na criação de plataformas de acesso público, articulando pesquisa, preservação e ações de extensão voltadas à democratização do acesso à memória audiovisual.
Coordenação: Rafael de Luna | UFF

Corps en résistance: contre-archives du cinéma féministe entre le Canada et le Brésil
Projeto MCGill (Canadá) e PPGCOM PUC-Rio (financiamento CRSH-Connexion)
O projeto investiga os contra-arquivos do cinema feminista em uma perspectiva transnacional, decolonial e interseccional, promovendo o intercâmbio entre pesquisadoras, artistas, instituições de memória e estudantes do Brasil e do Canadá. Desenvolvido a partir da proposta de pesquisa de Julia Minnie, com financiamento do CRSH-Connexion, o projeto resulta de uma cooperação internacional entre o Laboratório Práticas do Contra-Arquivo (PPGCOM/PUC-Rio) e o Moving Image Research Lab (MIRL), da Universidade McGill, sob supervisão de Patricia Machado (PUC-Rio) e Alanna Thain (McGill).
A iniciativa articula atividades de pesquisa, formação e difusão voltadas à valorização de arquivos feministas e às práticas contemporâneas de retomada de imagens. Entre as ações desenvolvidas estão jornadas de estudos em Montreal, seminários internacionais, ciclos de conferências e projeções no Rio de Janeiro e no Canadá, uma escola intensiva Brasil–Canadá dedicada à preservação e difusão de arquivos audiovisuais, além da publicação de um dossiê temático e de programas de circulação digital. O projeto envolve estudantes de graduação e pós-graduação em todas as etapas de sua realização, fortalecendo redes de colaboração acadêmica e cultural entre os dois países.
A pesquisa conta com a parceria da Cinemateca do MAM-Rio, do LUPA, do Groupe Intervention Vidéo (GIV), de Montreal, e da plataforma Tënk.ca, contribuindo para a ampliação do debate sobre arquivos feministas, memória audiovisual e práticas de resistência no cinema contemporâneo.
Coordenação: Julia Minnie
Supervisão:
Patricia Machado | PUC-Rio; Alanna Thain | McGill University.

Por teorias e métodos feministas no estudo do cinema: entre formas, narrativas e corpos de mulheres
Projeto CNPq Universal
Esse projeto, selecionado no CNPQ Universal 2023, nasce com o grupo de pesquisa, Poéticas femininas, Políticas Feministas (PPGCOM-UFMG, dedicando-se ao questionamento dos modos como o feminino se engendra no cinema em seu sentido tanto estético quanto político através da experiência de realizadoras e personagens. É pressuposto que a experiência das mulheres chega duplamente marcada: do ponto de vista histórico, pelas múltiplas opressões sofrida na gestão de um sistema patriarcal (Gerda Lerner, Silvia Federici, Angela Davis); e na prática cinematográfica, pelo subjugo de suas várias atuações (Di Lauretis, M.A. Doane, Jaqueline Bobo). Olhar para o feminino no cinema é, então, olhar para relações de poder não só entre gêneros, mas entre classes, raça, sexualidades, num cenário hierarquizado pelos dispositivos falocêntricos de dominação (C. Pateman, Irigaray), colonização (bell hooks, P.Hill Collins) e objetificação dos corpos (Laura Mulvey).Assim, a partir do contexto de realização, do método de filmagem e da escritura fílmica, em obras ficcionais,documentais, experimentais, busca-se formular teorias e métodos de estudo acerca dos modos como, a cada dispositivo cinematográfico, as mulheres podem vir a ser protagonistas, não pela constante presença em cena, mas pela apropriação dessa presença no que ela implica uma agência sobre seus desejos e demandas, bem como sobre os mecanismos de visibilidade. Nessa abordagem, a perspectiva feminista não é um apelo à militância, mas uma atitude epistemológica que identifica formas de subalternização feminina e forças interseccionais disruptivas em relação ao patriarcado histórico e suas tecnologias de manutenção do machismo estruturante do cinema. Metodologicamente, o projeto propõe articular essas três frentes de aproximação às obras que abarcam da produção histórica do cinema feito com mulheres à análise fílmica, a saber, as opções narrativas, formais, sensoriais, e de montagem, como meios de resistir e tensionar os regimes patriarcais, racistas e classistas.
Coordenação: Roberta Veiga | UFMG

Entre o político e o íntimo: o cinema doméstico na ditadura militar
A pesquisa investiga imagens produzidas no contexto da ditadura militar brasileira (1964–1985), articulando arquivos pessoais, filmes domésticos e registros audiovisuais que permitem compreender as relações entre experiência privada, memória e história política. O projeto busca mapear, coletar, preservar e analisar materiais audiovisuais dispersos em arquivos públicos, coleções privadas e acervos familiares, interrogando seus modos de produção, circulação, esquecimento e retomada no presente.
Um dos principais eixos da pesquisa é o estudo das imagens produzidas pela cineasta e atriz Norma Bengell sobre a militante política Inês Etienne Romeu, única sobrevivente conhecida da chamada Casa da Morte de Petrópolis. Ainda em andamento, essa investigação tem se dedicado à análise das condições de realização, circulação e preservação desse conjunto de imagens, bem como às disputas de memória que atravessam sua trajetória. Os resultados da pesquisa já deram origem à publicação de seis artigos acadêmicos, ao convite para duas conferências internacionais e à participação em diversos seminários e congressos nacionais e internacionai
Coordenação: Patrícia Machado | PUC-Rio; Thais Blank | CPDOC-FGV

Organização do acervo do crítico José Carlos Avellar
Doado em regime de comodato para a Cinemateca do MAM
José Carlos Avellar é conhecido pelo seu trabalho como jornalista, fotógrafo, crítico de cinema, pensador do cinema Latino Americano e cineasta. Com o olhar curioso para o mundo e amor pelo cinema, foi também um cinegrafista amador que produziu imagens históricas importantes. Em 2014, Avellar nos falou sobre as filmagens que realizava nos anos 1960 com a sua câmera Bolex: as manifestações de rua contra a ditadura, as comemorações de torcedores na saída do Maracanã, o carnaval e outros eventos nas ruas da cidade e o cotidiano de Clementina de Jesus. Em entrevista para o grupo de pesquisa, Hernani Heffner nos falou sobre essas imagens e sobre o arquivo privado de José Carlos Avellar, que foi doado pela sua esposa, em regime de comodato, à Cinemateca do MAM-RJ.
Organizado em setenta e quatro caixas, o acervo reúne documentos pessoais e profissionais do crítico cinematográfico. O ponto de partida da equipe foi uma pré-catalogação feita por voluntários em março de 2022. A diversidade de materiais mostra a riqueza do arquivo: vinte e uma caixas de jornais e revistas, quatro de escritos, duas de fotografias, duas de filmes negativos, uma de desenhos, sete de catálogos, duas de críticas, onze relacionadas a festivais, duas de correspondências, uma de postais, duas de roteiros e storyboards, oito de livros, duas de discos de vinil, duas de equipamentos e sete relativas à atuação em gestões.
Entre setembro e novembro de 2023, realizamos o trabalho sistemático de catalogação e descrição desse material. Nesse período, foram catalogados 1.078 documentos. É importante ressaltar que esse levantamento representa apenas um recorte parcial do acervo — uma pequena fração de um conjunto que, por si só, já oferece inúmeras possibilidades de pesquisa independente. O método adotado — tabelar, registrar observações e descrever documentos — estabelece as bases para a continuidade da catalogação e permite identificar deslocamentos e complexidades que demandam correções ou mesmo propostas de reorganização de algumas caixas. Para além do potencial de pesquisas futuras, esta etapa marca o início formal da catalogação e descrição do Arquivo José Carlos Avellar.
Coordenação: Patrícia Machado | PUC-Rio
Parceria: Cinemateca do MAM-RJ