Pesquisas

Esta página reúne as pesquisas desenvolvidas e coordenadas no Laboratório financiadas por agências de fomento. Aqui é possível acompanhar os projetos em curso e os já concluídos, conhecer seus objetivos, metodologias e resultados, e compreender como cada investigação se articula com as demais linhas de trabalho do grupo. As pesquisas integram estudantes de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da PUC-Rio, que participam ativamente de todas as etapas de pesquisa.

Contra-arquivo de mulheres: produção, circulação e preservação de filmes realizados na ditadura militar

Jovem Cientista (2026/2029)

Este projeto propõe mapear, investigar, digitalizar e difundir filmes de curta-metragem realizados por mulheres durante a ditadura militar no Brasil (1964–1985). Em continuidade ao projeto “Práticas do Contra-Arquivo” (JCNE, 2022), a pesquisa parte de uma metodologia própria que articula análise estética e historiográfica à investigação das trajetórias das imagens — da tomada à circulação e retomada. A proposta inclui o levantamento de fontes em jornais da época, a busca por filmes em acervos públicos e privados, entrevistas com realizadoras, digitalização de matrizes fílmicas e ações de difusão com escolas públicas do Rio de Janeiro. Ao recuperar filmes esquecidos e visibilizar narrativas femininas sobre o período autoritário, o projeto constrói uma nova cartografia da memória audiovisual brasileira e promove a formação crítica de novos públicos, integrando ensino, pesquisa e extensão.

Práticas do contra-arquivo: mapeamento e análise de imagens não-oficiais da ditadura militar no Brasil (1964-1985)

Jovem Cientista (2023/2025)

A pesquisa investigou, mapeou e analisou imagens em movimento produzidas durante a ditadura militar brasileira (1964–1985) que rompem com as narrativas oficiais dos cinejornais estatais preservados no Arquivo Nacional. Registrados em diferentes suportes — Super-8, 16mm, 35mm — e dispersos em acervos públicos e privados no Brasil e no exterior, esses materiais foram produzidos por cineastas profissionais e amadores que levaram câmeras escondidas para prisões, documentaram conflitos nas ruas, movimentos camponeses, resistência indígena e famílias de militantes no exílio. Ao confrontar essas imagens com os registros oficiais do período, o projeto buscou tornar visíveis questões relativas à violência cultural, política, de gênero e de raça silenciadas pela história oficial.

O projeto partiu do conceito de contra-arquivo para ampliar e sistematizar uma metodologia própria de análise estética e histórica das imagens, voltada tanto para o momento da tomada quanto para a retomada desses materiais em novas obras audiovisuais. Incluiu ainda ações pedagógicas com estudantes da rede pública, por meio de oficinas de sessões de cineclube.

Resultados

Foram identificados e analisados mais de 800 curtas-metragens produzidos entre 1964 e 1985, com ênfase em registros realizados por presos políticos, militantes e coletivos independentes. Entre as descobertas mais significativas está o curta-metragem Água, Açúcar e Sal (1979), produzido coletivamente por presos políticos da Penitenciária Frei Caneca durante a Greve Nacional de Fome pela Anistia. O filme, que estava guardado no acervo pessoal de Paula Jabur, está disponível no canal do projeto no YouTube (@contraarquivo), acompanhado de entrevista com o ex-preso político e fotógrafo responsável pela produção e guarda das imagens. O canal reúne também entrevistas com os cineastas Noilton Nunes e José Carlos Asbeg — autores do curta Lá Dentro, Lá Fora (1979), e com o cineasta Sérgio Peo, que produziu uma série de filmes em Super-8 de confronto à ditadura no período pré-anistia. O canal ultrapassou 13 mil visualizações, alcançando públicos acadêmicos e não acadêmicos.

O projeto integrou ao longo de sua execução 20 estudantes em diferentes modalidades de vínculo — iniciação científica (FAPERJ, CNPq, CAPES e PIBIT/PUC-Rio), apoio técnico, mestrado e doutorado.

A exposição 32 dias: imagens da prisão (Solar Grandjean de Montigny, PUC-Rio, setembro de 2024) reuniu imagens inéditas do acervo de Paulo Jabur, recebeu mais de 5 mil visitantes e promoveu atividades educativas com cerca de 150 estudantes do ensino médio de escolas públicas (Colégio Estadual André Maurois, Escola Municipal Christiano Hamann e Colégio Estadual Arthur Sendas) , mediadas por bolsistas de graduação e pós-graduação do projeto. Foi realizada ainda uma sessão do cineclube Histórias da Maré vistas e revistas pelo Cinema no Galpão Bela Maré (Observatório de Favelas), com exibição do filme Projeto Rio (1981) e debate sobre os arquivos da história da Maré.

O trabalho foi destaque na Revista Pesquisa Fapesp e no portal Opera Mundi, além de menções em reportagens do Nexo Jornal, O Globo e Folha de S.Paulo.

O projeto foi determinante para a criação da REPIA — Rede de Pesquisas das Imagens de Arquivo —, que reúne grupos de pesquisa, laboratórios, coletivos e instituições do Brasil e do exterior. Em 2024, o grupo co-organizou o I Seminário Internacional Arquivo e Contra-Arquivo: política e migração das imagens (FGV-Rio), com apoio da FAPERJ, reunindo pesquisadoras, artistas e curadores nacionais e internacionais, entre eles palestrantes da Princeton University e da University of Washington. A continuidade e o reconhecimento do trabalho resultaram na aprovação de nova edição do Jovem Cientista FAPERJ (2026–2028), com foco na produção audiovisual de mulheres durante a ditadura.