Projetos Parceiros
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INCT PreRes
Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Preservação Audiovisual
O objetivo geral do Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação PreRes é estruturar uma rede colaborativa de laboratórios e grupos de pesquisa, localizados em diferentes regiões do Brasil, para atuar na reunião, preservação, restauração e difusão da produção audiovisual realizada em suportes analógicos e digitais, atualmente dispersa pelo território brasileiro e que ainda se encontra carente de ações de salvaguarda. O INCT PreRes é sediado na UFF, em Niterói, e reúne 13 laboratórios e grupos de pesquisa de 11 diferentes Institutos de Ensino Superior, localizados em sete estados do Brasil.
Coordenação: Rafael de Luna | UFF

Por teorias e métodos feministas no estudo do cinema: entre formas, narrativas e corpos de mulheres
Projeto CNPq Universal
Esse projeto, selecionado no CNPQ Universal 2023, nasce com o grupo de pesquisa, Poéticas femininas, Políticas Feministas (PPGCOM-UFMG, dedicando-se ao questionamento dos modos como o feminino se engendra no cinema em seu sentido tanto estético quanto político através da experiência de realizadoras e personagens. É pressuposto que a experiência das mulheres chega duplamente marcada: do ponto de vista histórico, pelas múltiplas opressões sofrida na gestão de um sistema patriarcal (Gerda Lerner, Silvia Federici, Angela Davis); e na prática cinematográfica, pelo subjugo de suas várias atuações (Di Lauretis, M.A. Doane, Jaqueline Bobo). Olhar para o feminino no cinema é, então, olhar para relações de poder não só entre gêneros, mas entre classes, raça, sexualidades, num cenário hierarquizado pelos dispositivos falocêntricos de dominação (C. Pateman, Irigaray), colonização (bell hooks, P.Hill Collins) e objetificação dos corpos (Laura Mulvey).Assim, a partir do contexto de realização, do método de filmagem e da escritura fílmica, em obras ficcionais,documentais, experimentais, busca-se formular teorias e métodos de estudo acerca dos modos como, a cada dispositivo cinematográfico, as mulheres podem vir a ser protagonistas, não pela constante presença em cena, mas pela apropriação dessa presença no que ela implica uma agência sobre seus desejos e demandas, bem como sobre os mecanismos de visibilidade. Nessa abordagem, a perspectiva feminista não é um apelo à militância, mas uma atitude epistemológica que identifica formas de subalternização feminina e forças interseccionais disruptivas em relação ao patriarcado histórico e suas tecnologias de manutenção do machismo estruturante do cinema. Metodologicamente, o projeto propõe articular essas três frentes de aproximação às obras que abarcam da produção histórica do cinema feito com mulheres à análise fílmica, a saber, as opções narrativas, formais, sensoriais, e de montagem, como meios de resistir e tensionar os regimes patriarcais, racistas e classistas.
Coordenação: Roberta Veiga | UFMG

Entre o político e o íntimo: o cinema doméstico na ditadura militar
A pesquisa propõe realizar um estudo em torno de filmes domésticos filmados por diferentes famílias no período da ditadura militar brasileira (1964 -1985). O objetivo primordial do projeto é mapear, coletar e disponibilizar imagens em movimento realizadas no âmbito privado entre 1964 e 1985, em película, que estão dispersas em arquivos ou até mesmo em vias de desaparecimento. Articulando esses diferentes registros com os depoimentos recolhidos em entrevistas filmadas ao longo da pesquisa e com documentos dos arquivos pessoais e públicos que dizem respeito a origem, a trajetória e ao usos dessas imagens, desejamos revelar as condições de produção desses filmes familiares e amadores explorando o encontro entre a intimidade e a política. Busca-se compreender de que forma imagens realizadas dentro do espaço privado, que em grande parte não foram pensadas para serem difundidas, podem ganhar uma dimensão pública e acolher os dramas de sua época. O projeto integra a linha de pesquisa ligada à comunicação e às formas de experiência produzidas a partir da tomada e retomada de imagens domésticas.
Coordenação: Patrícia Machado | PUC-Rio; Thais Blank | CPDOC-FGV

Organização do acervo do crítico José Carlos Avellar
Doado em regime de comodato para a Cinemateca do MAM
José Carlos Avellar é conhecido pelo seu trabalho como jornalista, fotógrafo, crítico de cinema, pensador do cinema Latino Americano e cineasta. Com o olhar curioso para o mundo e amor pelo cinema, foi também um cinegrafista amador que produziu imagens históricas importantes. Em 2014, Avellar nos falou sobre as filmagens que realizava nos anos 1960 com a sua câmera bólex: as manifestações de rua contra a ditadura, as comemorações de torcedores na saída do Maracanã, o carnaval e outros eventos nas ruas da cidade e o cotidiano de Clementina de Jesus. Em entrevista para o grupo de pesquisa, Hernani nos falou sobre essas imagens e sobre o arquivo privado de José Carlos Avellar, que foi doado pela sua esposa, em regime de comodato, à Cinemateca do MAM-RJ.
Organizado em setenta e quatro caixas, o acervo reúne documentos pessoais e profissionais do crítico cinematográfico. O ponto de partida da equipe foi uma pré-catalogação feita por voluntários em março de 2022. A diversidade de materiais mostra a riqueza do arquivo: vinte e uma caixas de jornais e revistas, quatro de escritos, duas de fotografias, duas de filmes negativos, uma de desenhos, sete de catálogos, duas de críticas, onze relacionadas a festivais, duas de correspondências, uma de postais, duas de roteiros e storyboards, oito de livros, duas de discos de vinil, duas de equipamentos e sete relativas à atuação em gestões.
Entre setembro e novembro de 2023, realizamos o trabalho sistemático de catalogação e descrição desse material. Nesse período, foram catalogados 1.078 documentos. É importante ressaltar que esse levantamento representa apenas um recorte parcial do acervo — uma pequena fração de um conjunto que, por si só, já oferece inúmeras possibilidades de pesquisa independente. O método adotado — tabelar, registrar observações e descrever documentos — estabelece as bases para a continuidade da catalogação e permite identificar deslocamentos e complexidades que demandam correções ou mesmo propostas de reorganização de algumas caixas. Para além do potencial de pesquisas futuras, esta etapa marca o início formal da catalogação e descrição do Arquivo José Carlos Avellar.