Histórico
O Laboratório de Práticas das Imagens de Arquivo e Contra-arquivo é resultado do trabalho iniciado com o projeto Jovem Cientista do Nosso Estado, financiado pela FAPERJ, que teve início em 2023 com o objetivo de investigar imagens históricas produzidas durante a ditadura militar brasileira (1964–1985), especialmente aquelas que escapam aos registros oficiais.
O Laboratório se destaca pela forte articulação entre graduação e pós-graduação, promovendo oficinas, entrevistas com realizadores, produção de conteúdo pedagógico, cineclubes e exposições. Um exemplo foi a Exposição 32 dias: imagens da prisão, realizada em parceria com o grupo Lacuna – práticas interdisciplinares de arquivo e com o Departamento de História da PUC-Rio, no Museu Solar Grandjean de Montigny. Na exposição, foram apresentadas imagens produzidas por presos políticos durante a greve de fome de 1979 no presídio Frei Caneca, a partir do acervo pessoal do fotógrafo Paulo Jabur, resgatado pelo grupo.
Entre as ações estruturantes do Laboratório destaca-se o mapeamento de filmes de curta-metragem produzidos por mulheres cineastas no período da ditadura militar, tema de novo projeto Jovem Cientista contemplado em 2026. Busca-se a história das imagens a partir de entrevistas, pesquisas em acervos e na mídia. O projeto consiste na construção de uma plataforma digital que organizará e disponibilizará as informações sobre os filmes coletadas na pesquisa.

Integrante do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Preservação e Restauração Audiovisuais - CNPQ, nosso grupo de pesquisa começou em 2025 a realizar um projeto de recuperação e digitalização dos filmes mapeados e localizados em acervos como o CTAV- Rio e Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Parte desses filmes passa por processos de degradação e, ao serem recuperados, ganham novas formas de visibilidade e tornam-se fontes de pesquisa sobre a história do cinema brasileiro.
Ainda sobre a questão de gênero, temos como parceiro o Laboratório de Estudos de Cultura Visual (CPDOC- FGV), com quem desenvolvemos uma investigação sobre os registros audiovisuais e dos acervos da atriz e diretora Norma Bengell e da ex-presa política Inês Etienne Romeu. Essa pesquisa vem resultando em artigos, apresentações públicas e na recuperação de registros inéditos sobre os primeiros momentos de liberdade de Inês, filmados por Bengell em 1979.
O Laboratório integra a REPIA – Rede de Pesquisa de Imagens de Arquivo, que articula grupos de pesquisa no Brasil e no exterior interessados na memória audiovisual, na crítica das fontes e na pesquisa sobre a circulação de imagens adormecidas.
Por meio de diferentes ações, a pesquisa tem como compromisso a construção de uma memória crítica e a publicização do conhecimento para além dos muros universitários, ampliando o acesso a arquivos e pesquisas históricas e propondo usos pedagógicos, artísticos e sociais para as imagens que resistem aos processos de deterioração e esquecimento.